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13 de Maio de 2021

E se seu sucesso na advocacia depender da gestão de emoções?

Uma jornada sobre o mergulho na inteligência emocional e como isso pode alavancar sua carreira jurídica.

Letícia Perdigão, Advogado
Publicado por Letícia Perdigão
há 2 anos

2019 tem sido um ano de aprendizados. A busca por conhecimento sempre foi um processo natural em minha vida e me destacando cada vez mais na escolha de uma nova profissão, não poderia ser diferente: cada dia foi - e é - um desafio. Talvez meu maior aprendizado (intrínseco a todos os outros) tenha sido entender melhor como o mecanismo do mundo corporativo funciona, e que também pode ser ampliado ao mundo jurídico.

Algumas pessoas acreditam, até hoje, que no ambiente corporativo o que importa são aspectos técnicos e cognitivos. Eu era uma dessas pessoas. Justamente por pensar assim que atribui a mim mesma a responsabilidade de correr atrás desses dois aspectos. Pensava que para ser uma boa líder eu precisaria saber muito bem as minúcias técnicas, bem como desenvolver boa percepção, atenção, memória, raciocínio lógico e domínio da linguagem. Porém, com o passar do tempo, descobri que a verdadeira alavanca para o crescimento pessoal e profissional é a inteligência emocional (desculpem a rima, rs). Ter consciência das nossas emoções, saber utilizá-las a nosso favor e entender mais a fundo o relacionamento entre pessoas é característica fundamental para ser um líder de excelência - e um advogado (a) também!

Para ir mais fundo nesse universo, mergulhei de cabeça na obra de Daniel Goleman, chamada “Inteligência emocional: a teoria revolucionária que redefine o que é ser inteligente”*. Te convido a fazer uma reflexão em cada passo mostrado à seguir, de modo a entender o quão avançado você está no campo da inteligência emocional e o que ainda pode fazer para iniciar nesse mergulho. Te garanto, a experiência de mergulhar em si é incrível!

Mas o que é inteligência emocional?

É bastante comum pensar que a aptidão intelectual (mais conhecida como QI — Coeficiente de Inteligência) é o que define o que é ser inteligente. Então te pergunto: por que os alunos com maiores QIs de uma escola nem sempre são os adultos com maior sucesso profissional e pessoal na vida adulta?

Segundo Goleman, o QI contribui com somente cerca de 20% dos fatores que determinam sucesso na vida, deixando 80% para outras variáveis e circunstâncias, como por exemplo a classe social, a sorte e a inteligência emocional (QE). E é aí que entra a definição de inteligência emocional: é a capacidade do indivíduo de identificar seus sentimentos e emoções com mais facilidade e saber escolher o melhor caminho a se tomar.

A incapacidade de lidar com as próprias emoções pode acabar com a experiência escolar, com carreiras de sucesso e destruir laços pessoais. Já por outro lado, características como autocontrole, zelo, persistência e capacidade de automotivação são aspectos de quem tem grande inteligência emocional e que levam ao sucesso na vida pessoal e profissional.

Unir as duas inteligências — a racional e a emocional — é a chave para o sucesso. Sabendo disso, Goleman descreve 5 grandes aptidões emocionais para aperfeiçoarmos ao longo da vida e conseguirmos atingir esse patamar que hoje é alcançado por poucos: 1. autoconhecimento, 2. saber lidar com as emoções, 3. motivar-se, 4. reconhecer as emoções nos outros e 5. lidar com relacionamentos.

1. Autoconhecimento: conhecendo as próprias emoções

    Atire a primeira pedra quem nunca passou por isso na vida: algo no trabalho ou em casa te deixa completamente fora de si e sem ainda ter se recuperado dessa ira, você desconta sua raiva na primeira pessoa que cruza seu caminho. Se identificou?

    Essa pessoa raivosa não tem noção nenhuma da emoção que está sentindo e fazendo os outros sentirem, tamanho é o sequestro emocional pelo qual está passando. No mundo corporativo isso se torna extremamente crítico: imagina só descontar todo o seu mau humor no seu cliente? Reconhecer os sentimentos é o primeiro passo para aprender a se controlar. Nossa incapacidade de observar nossos sentimentos nos deixa completamente à mercê deles. Segundo Goleman, “as pessoas mais seguras são melhores pilotos de suas vidas, tendo uma consciência maior de como se sentem em relações a decisões pessoais”.

    Quer praticar e aperfeiçoar essa aptidão? Tente dar nome pros seus sentimentos, tentando identificar se aquilo é medo, raiva, alegria, tristeza, ciúmes… Transforme isso em um exercício diário. Identifique também:

    - o que governou aquela reação: foi pensamento ou foi emoção?

    - o que gerou aquele sentimento negativo? Se pergunte isso até realmente encontrar uma resposta que faça sentido.

    Outro ponto importante do autoconhecimento é saber identificar suas fraquezas. Isso nos torna mais humildes e nos permite trabalhar para melhorá-las ao longo de toda a vida.

    2. Lidar com as emoções: o que eu faço com isso que senti?

    Agora que identificar as emoções já parece uma tarefa fácil, a ação se torna necessária. Afinal, de que adianta o autoconhecimento e não fazer nada com relação a isso, não é mesmo?

    Saber lidar com os sentimentos e emoções é conseguir se recuperar mais facilmente dos altos e baixos da vida, que muitas vezes nos deixam imóveis e nos trazem uma carga enorme de tristeza, ansiedade, medo e frustração.

    O objetivo de lidar com as emoções é aprender a ter equilíbrio e não suprimi-las. O equilíbrio, nesse sentido, é ter um sentimento que seja proporcional à circunstância que o causou. Emoções negativas existem: isso é fato! Aceite-as. Depois que aceitamos que algo existe é que temos condições de trabalhar para lidar com elas.

    Isso serve muito para críticas recebidas no ambiente de trabalho. Nem sempre é bom ouvi-las, mas uma vez identificada, lide com isso e trabalhe para que esse objeto de crítica desapareça ou seja controlado. Utilize isso como um gatilho para a automotivação.

    3. Motivar-se: colocar as emoções à serviço de uma meta

    Conseguir colocar as emoções que sentimos à serviço de um objetivo ou meta é essencial para manter a engrenagem girando e para manter foco, controle e criatividade. O autocontrole emocional está por trás de qualquer tipo de realização.

    Imagine só ser um líder importante, ter uma grande capacidade intelectual e não ser motivado o bastante para utilizá-la em seu maior potencial? Líderes automotivados não só trabalham fortemente em direção a seus objetivos como conseguem inspirar positivamente pessoas ao seu redor para agir como ele. Quando somos motivados por entusiasmo e prazer no que fazemos no diaadia, esses sentimentos nos levam ao sucesso.

    Canalizar as emoções para um fim produtivo é, segundo Goleman, uma aptidão mestra: “seja no controle de impulsos e adiamento da satisfação, no controle dos nosso estados de espírito para que facilitem, em vez de impedir, o pensamento, motivando-nos a persistir e tentar de novo apesar dos reveses, seja na descoberta de formas para entrar em fluxo e com isso atuar com mais eficiência — tudo indica o poder da emoção na orientação do esforço eficaz”.

    4. Reconhecer as emoções nos outros: a beleza da empatia

    De nada adianta conhecer seus próprios sentimentos, lidar positivamente com eles, motivar-se com seu aperfeiçoamento e não saber fazer isso tudo com o sentimento dos outros também. Saber identificar as emoções dos outros é se conectar com o mundo ao seu redor!

    Pessoas com grande empatia pensam e agem como gostariam de ser tratadas se estivessem na perspectiva do outro. É importante destacar que as emoções nos outros não precisam ser percebidas somente por palavras — elas são expressas também por gestos, linguagem corporal, tom de voz e atitudes. Reconhecer cada um desses aspectos é importantíssimo.

    Comece a praticar a empatia com um ato simples e muito esquecido, tanto no ambiente corporativo quando no pessoal: a escuta ativa. Comece fazendo um esforço para não cortar o pensamento do outro quando você mesmo tiver uma retaliação. Escute tudo com atenção. Mesmo que você não concorde de imediato, continue escutando com consideração e respeito. Ao lidar com essa pessoa, trate-a como gostaria de ser tratada e valide os sentimentos dela com atenção. Como líder, é imprescindível observar situações e atitudes sob a perspectiva dos outros.

    5. Lidar com relacionamentos: a união do autocontrole e da empatia

    É a capacidade de lidar com os relacionamentos ao longo da vida que determina nossa liderança, popularidade e eficiência interpessoal. Lidar com as emoções de outras pessoas exige um amadurecimento das aptidões de autocontrole e empatia. Deficiências nesse sentido conduzem a um desastre no mundo social e faz com que mesmo as pessoas consideradas brilhantes do ponto de vista intelectual afundem em seus relacionamentos. Segundo Goleman, “essas aptidões sociais nos permitem moldar um relacionamento, mobilizar e inspirar os outros, vicejar em relações intimas, convencer ou influenciar, deixas os outros à vontade, etc”.


    A união dessas 5 aptidões emocionais nos permite mobilizar e inspirar multidões! Todas elas foram capazes de despertar em mim uma onda de reflexão e motivação para mudança, tanto do ponto de vista profissional quanto pessoal. Claro, não significa dizer que é fácil praticá-las: evoluir no campo emocional é difícil, pois todas essas aptidões precisam ser desenvolvidas exatamente no momento em que as perturbações aparecem. Mas não é impossível estar atento às nossas emoções no diaadia. O importante é não se torturar: assim como estou trabalhando isso aos poucos, você também conseguirá.

    Deixo aqui um convite para que você realize o seu próprio mergulho emocional: que a sua jornada comece agora — e com o pé direito!

    *Esse artigo é baseado, do início ao fim, na obra “Inteligência emocional: a teoria revolucionária que redefine o que é ser inteligente” de Daniel Goleman.

    4 Comentários

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    Texto foda. Bem-vinda, @leticiasouzap :) continuar lendo

    Excelente texto! Importante conhecer a si mesmo, assim poderemos enfrentar os desafios do cotidiano com dominio próprio.👏👏👏👏👏 continuar lendo

    Excelente artigo.
    O latino não tem controle sobre as emoções. Não se comporta como os norte-americanos, escandinavos, japoneses, russos, alemães, canadenses. É pura emoção. E apesar de ter qualidades, não são suficientes para resolver os próprios problemas. continuar lendo

    Excelente texto dra, parabéns! continuar lendo